Pôster de A Hipótese do Amor

A Hipótese do Amor

Entre fake dating, química de laboratório e um professor conhecido como Dr. Evil, A Hipótese do Amor entrega exatamente o tipo de romance que muita romcom recente esqueceu de fazer: deixar a gente acompanhar duas pessoas se apaixonando.

3,5

O que é

A Hipótese do Amor (The Love Hypothesis) adapta o livro de mesmo nome da Ali Hazelwood e estreou no Prime Video em 23 de setembro de 2026, com direção de Claire Scanlon. Lili Reinhart vive Olive, uma doutoranda que, para provar à melhor amiga Anh (Rachel Marsh) que já superou o crush, toma uma decisão completamente racional e adulta: beija do nada o professor mais temido da universidade.

Esse professor é Adam Carlsen (Tom Bateman), também conhecido pelos alunos como praticamente o demônio de jaleco.

O beijo, obviamente, dá muito errado.

Ou muito certo.

Depende do quanto você gosta de fake dating.

Porque logo os dois fecham um acordo de namoro de mentira, com regras, encontros combinados e aquela certeza absoluta de que nenhum deles vai desenvolver sentimentos.

Sim. Claro.

Nós acreditamos.

O que achei

Já começo avisando: não li o livro. Então, se você chegou aqui procurando uma investigação criminal sobre o que mudaram da página 214 para o minuto 57 do filme, sinto muito. Aqui é só o filme, eu e meu sofá.

E eu comecei A Hipótese do Amor com expectativas perigosamente baixas.

As romcoms que tenho assistido ultimamente parecem ter esquecido uma parte relativamente importante da fórmula: o romance.

Tem casal. Tem gente bonita. Tem uma música indie tocando enquanto eles se olham. Às vezes alguém derruba café.

Mas aquela sensação de acompanhar duas pessoas realmente se apaixonando? Aquela expectativa idiota de “meu Deus, eles vão encostar a mão”? Aquela vontade de falar “BEIJA LOGO” para uma televisão que obviamente não vai responder?

Fazia tempo.

Talvez seja porque eu ando assistindo true crime demais e meu cérebro já espera que qualquer encontro termine em depoimento para a polícia. Mas acho que não é só isso.

Muita comédia romântica recente simplesmente apresenta duas pessoas, informa que elas têm química e espera que a gente aceite.

A Hipótese do Amor pelo menos faz o trabalho.

Olive e Adam vão se aproximando aos poucos. Eles conversam, ficam desconfortáveis juntos, começam a conhecer as manias um do outro e, principalmente, mudam um pouquinho por causa dessa convivência.

É básico?

É.

Mas aparentemente chegamos ao ponto em que uma comédia romântica desenvolver o próprio casal já merece comemoração.

No começo, inclusive, eu achei o Adam Dr. Evil demais.

O homem parece acordar todas as manhãs pensando: “como posso estragar o dia de um doutorando hoje?”

Ele é duro, seco, intimidante e tem uma habilidade especial para transformar qualquer conversa em uma reunião de desempenho.

Por alguns minutos achei até que fosse uma escolha estranha do Tom Bateman. Depois percebi que não: o Adam realmente é assim.

E isso acaba funcionando muito bem, porque o filme não tenta simplesmente transformar o personagem em um príncipe romântico cinco minutos depois.

A graça está em ver a Olive desmontando essa armadura.

Ela faz ele perceber que talvez exista uma forma de orientar alunos sem causar pequenos traumas psicológicos.

E ele, por outro lado, é uma das primeiras pessoas que realmente levam a pesquisa dela a sério, incentivam a carreira dela e fazem a Olive perceber que ela é muito melhor do que acredita.

Os dois não apenas ficam juntos.

Eles crescem juntos.

E é exatamente disso que eu estava sentindo falta em filmes do gênero.

Uma das minhas cenas favoritas acontece numa cafeteria.

A Olive chega pedindo uma quantidade absolutamente irresponsável de doces, enquanto o Adam continua com aquela expressão de homem que considera açúcar uma falha de caráter.

E todo mundo em volta fica encarando os dois.

Porque ninguém consegue imaginar aquele homem tendo uma namorada.

Muito menos aquela namorada.

É uma cena pequena, mas é exatamente o tipo de coisa que vende o casal: você começa a entender por que duas pessoas completamente diferentes podem funcionar juntas.

E existe uma coisa muito específica nas boas romcoms que é difícil explicar: você sabe perfeitamente onde a história vai chegar, mas mesmo assim começa a torcer.

Não existe suspense.

Ninguém está assistindo a A Hipótese do Amor pensando:

“Será que eles vão ficar juntos?”

Amiga.

Olha o pôster.

A graça está no como.

E o filme entende isso.

Ele deixa espaço para olhares, constrangimentos, pequenas gentilezas e momentos em que os personagens ficam perto demais um do outro por tempo suficiente para o nosso cérebro adolescente assumir o controle.

Também gostei bastante da amizade da Olive com a Anh.

Existe carinho genuíno ali, sem aquela dinâmica de “melhor amiga que só existe para dar conselho sobre homem”.

Você acredita que elas realmente gostam uma da outra.

Por isso eu queria ter visto mais do entorno da Olive.

Principalmente Anh e Jeremy.

O filme nos diz que existe alguma coisa acontecendo entre eles, mas passa tão rápido que parece subplot colocado no modo 2x.

E acho que esse é justamente o maior problema de A Hipótese do Amor.

O casal principal funciona tão bem que você percebe ainda mais quando o resto dos personagens não recebe o mesmo cuidado.

Adam e Olive têm tempo para existir.

Alguns dos outros parecem estar esperando a vez de entrar na cena.

⚠️ Spoilers a partir daqui

O terceiro ato também pesa um pouco mais do que eu esperava para uma romcom tão leve.

A história com o Tom traz uma ameaça real à carreira da Olive e coloca o filme num terreno bem diferente daquele clima fofo da primeira metade.

Não acho necessariamente ruim (principalmente porque reforça o quanto o Adam acredita na Olive e a apoia), mas a transição poderia ter sido um pouco mais suave.

E existe uma coisa no final que eu adorei.

Depois de passar o filme inteiro com o Adam sendo o temido Dr. Evil, descobrimos que a Olive também ganhou o próprio apelido entre os alunos:

Dr. Smite.

Ou seja, aquela mulher doce, caótica e apaixonada por açúcar também virou a professora que causa medo nos corredores.

Achei perfeito.

Porque o final não transforma a Olive apenas na “namorada do Adam”.

Ela cresce profissionalmente, fica mais segura e termina exatamente onde deveria: ao lado dele, mas ocupando o próprio espaço.

E talvez seja justamente por isso que A Hipótese do Amor funcionou comigo.

Não inventa a roda.

E romcom nem precisa.

Às vezes eu só quero que a roda gire direito.

E essa gira.


Fontes: A Hipótese do Amor (TMDB)

Nota

  • Janaina Coelhoautor(a) do texto3,5
  • Leandro Giordanisem veredito
  • Rafael Mosersem veredito

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